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segunda-feira, 22 de março de 2010

O amor segundo Godofreeda – Reflexões no divã

“Amor?! Ora, é o que sinto por aqueles que quero bem! Ah, não é este tipo de amor… Bem, você quer que eu te fale sobre o amor epecial, aquele que dá calorzinho na gente. Doutor, vou tentar ser técnica… ããã… hummmmmm… ai, não sei! Pra mim, esse amor é assim: a gente tem conosco cinco coisas conectadas: a emoção, a razão, a esperança, a consciência e a experiência. O amor é um negócio que faz a emoção, a esperança e a experiência melhorarem, mas a razão e a consciência odeiam isso. Porquê? Ah, doutor, porque quando a gente ama assim, a gente se sente bem, mas um pouco boba… parece que o mundo é outro, não importa se você vai perder milhões na bolsa, você tá dopada… é uma coisa muito prazerosa. Acho que é igual a maconha. Sei que o senhor já experimentou, afinal, o senhor é gente, né! [Risadas] Mas então, o amor ilude mas faz bem. O melhor é que ninguém morre de overdose de amor. Aliás, aquele primeiro amor que eu te disse, o de quando a gente gosta de alguém, mas não dá calorzinho, ele não deveria chamar amor. deveria chamar responsabilidade, porque é esse amor que nos faz cuidar dos filhos, mas quando crescem, depois de um tempo, a gente dá graças a deus porque eles cresceram, e vão nos deixar em paz. Não adianta reclamar, porque o alívio de novamente ficar sozinha, sem uns diabinhos por perto, é muito gostoso. Vamos voltar ao amor de verdade… o senhor perguntou porquê a consciência não gosta do amor. Bem, é porque a razão não gosta! Sem dúvida a consciência é como é porque sabemos como as coisas são. Mas tê-la descontente é bom! O mundo do amor faz a gente fazer coisas que não fariamos normalmente. Tirar a roupa pro amado, mostrar um mar de estrias e celulites, revelar o poder da atração gravitacional sobre nosso corpo… Mas, ao mesmo tempo, a gente não liga pra barriguinha de chopp, o bilau pequenininho, o bumbum amassado… a gente tende a aceitar o “incomum” com mais facilidade. É como se a Godofreeda da Terra virasse uma sexy Loretta, por exemplo. Melhor ainda, Desirrée. Adoro esse nome… Desejo. Como é bom ser desejada! É assim, doutor. Resumir em uma frase? Bem… Amor é aquilo que nos renova ao mesmo tempo que nos faz sentir que a realidade nem sempre é a ideal. Posso complementar? Amor e tesão são as mesmas coisas. Se a perereca fica molhadinha, o coração acelera e você vê um James em um Jorge, isso é amor. A principal consequência? Ah, por amor a gente tem que aguentar o fedor do peido que ele solta sempre debaixo do cobertor! Fazer o que, nada é perfeito!”

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