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sábado, 2 de abril de 2011

Ter

Era manso o som que tocava naquela tarde cansada, como todos nós. Um sambinha tenro que saía da de uma das janelas daquele prédio enorme, velho, cansado. Fazia calor, estava na janela e os versos diziam:

“Dizem que nada é por acaso

Acredito no destino, mas decido quem sou eu

Não espero que a graça venha a mim

E eu corro da desgraça

Isso nunca vai ter fim

É destino conhecer minha Maria

Mas amar essa menina

Quem decide sou eu

Pois eu quero ter aqui felicidade

E viver toda a verdade

De amar o corpo teu

Há ali quem de fato eu desejo

Vive atrás daquele muro

A mulher dos sonhos meus

Chama Lívia, doce e tenra ela é

Uma beleza de mulher

De sorriso e rosto únicos

O destino não me ajuda agora

E não espero a hora

De ter Lívia pra mim

Como sou um guerreiro dedicado

Vou além daquele muro

Procurar o que é meu – ou pode ser.”

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A vida ao lado dela: um divertido desafio

A vida ao lado dela é um blog criado com textos cronológicos que narram a experiência de Tiago, um rapaz “politicamente mais ou menos correto”, quando vai viver com sua amiga, louca e aventureira, Bianca. Várias aventuras e grande humor estão presentes. Abaixo há uma declaração do criador do blog, abordando o texto e recursos utilizados:

“Convergir em um único texto as experiências passadas, as condições presentes e o futuro desejado são os desafios que encontro ao escrever “A vida ao lado dela”. De fato, a proposta é criar nos personagens uma realidade que seja a junção do presente, passado e futuro meu e de Bianca, apresentando uma linguagem simples, vulgar, com teor crítico e humorado. É uma forma de arte a ser desfrutada nos momentos tensos da vida, quando um pouco de descontração vale a pena. Encare os textos mais como desabafos de Tiago frente ao desafio de conviver com uma Bianca que é, resumidamente, louca e romântica. Espero que divirtam-se e expressem suas reações postando comentários. Acessem já em http://avidaaoladodela.blogspot.com e aproveitem! Um grande abraço,

O autor”

A lição das férias.

Acabou de terminar as férias de verão de 2011. Finalmente. No geral foi um bom período, onde me diverti, passeei, engordei. Também aprendi, como sempre, uma lição mais forte que as demais. Chamo de lição de férias, e cada ano tem uma. De uma série de descobertas, revelações e suspeitas, a lição desse ano é “Não coloque a mão no fogo por ninguém!”. Até então, eu me arriscava por muita gente. Hoje descobri que não merecem nem que as considerem! É que admiro a honestidade, primo pela verdade e pela real natureza das coisas. Essa galerinha hipócrita, falsa, de dupla personalidade (a não ser que seja um mal patogênico) perdeu totalmente as credenciais com o papito aqui. Não me espanto, na verdade, com o que descobri. Só me decepciono, pois tenho a idiota mania de acreditar sempre no melhor das pessoas. Acreditar no melhor é simplesmente acreditar naquilo que te mostram. Assim, a minha mania me traiu. Não é a primeira vez, mas mesmo assim vou mante-la. Se há ainda alguém decente no mundo, este alguém merece que eu ofereça minha confiança. Mas o fogo já não torra mais minha mãozinha, não mesmo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sobre os olhos

Têm encarado o futuro, aqueles olhos sagazes, com grande certeza. Como erram. Veja bem você: tem certeza de que chegará ao fim deste texto vivo? O problema é que, das certeza do futuro presente, os olhos arquitetam, decoram-no como desejam. Cravejam de ouro, esmeraldas e contas milionárias. Lotam as paredes de certificados, se faz um deus aos homens. Torna-se dono das areias, riachos e latifúndios. Se perdem em seus próprios sonhos. É a mente embaraçada em seu próprio labirinto. É triste ser homem. A nós foi dado o poder de sonhar: uma perdição. O fato é que aqueles olhos não veem mais do que as possibilidades. Você deve saber, se ainda sobrevive, que a arte apenas idealizada não é arte, é esboço. Então aqueles olhos esboçam a certeza, que triste! Preveem o tempo, desafiam Cronos e incitam sua ira! E dali não saem. Olhos de sonhadores. Quem vive, vive porque deu ao trabalho de manter-se vivo. Quem sonha, sonha porque é homem. E sonhos não constroem castelos, apenas esboçam-o. Aos homens, como a todos os animais, foi conferido o poder de trabalhar. O correr atrás. O botar pra fazer. É isso que falta ao dono dos olhos: motivação. Desperte! Vá alcançar seus ouros, lapidar as esmeraldas e gastar ATP’s com coisas úteis. Sue no  mundo real. Dignifique-se através do trabalho, busque o mérito e perceba que nunca se alcança o futuro. Quando ele chega já é presente: assim persiste a maldição de sonhar. Eu ainda vivo.