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sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Chamado

Esbat Parece idiotice, mas tenho necessidade de publicar isso. Alguma pessoa saberá o quero dizer.

Me encontro em uma floresta. Árvores grandes, velhas, dividem espaço com flores silvestres. A luz do Sol penetra, tornando a paisagem muito bela. Começo a caminhar e me encontro numa clareira. No centro, há uma fogueira com um grande caldeirão. Mulheres muito belas, vestidas com largos vestidos, de várias cores, dançam ao redor do caldeirão, oferecendo a ele frutas, pães e mel. Há uma bela música sendo executada por um grupo, ao fundo. Falta algo nesta musica, eu percebo. Me aproximo. Uma mulher ruiva, alta e de olhos verdes e penetrantes me direciona para a pequena orquestra. Me oferece uma flauta de madeira negra. Começo a tocar, me entrosando com a música e com o ambiente. Percebo que, com a minha presença, a música está completa. Na minha mente alguém fala: “Você encontrou aqui o seu lugar. Está entre os seus, não negue sua natureza! Goyá o chama!” A mulher que me conduziu à pequena corporação fica a me olhar. A única coisa que faço é sorrir para ela. Ela sorri em retribuição, com um ar de grande satisfação. De repente tudo desaparece. O despertador toca, e a partir daquele dia não fui mais o mesmo. A gente só ganha quando percebe e assume a verdadeira natureza. Conheça-te verdadeiramente e sejas feliz!

domingo, 23 de maio de 2010

Um dilema

O relógio desperta. 6:00 da manhã. ElaEla se levanta, ainda sonolenta, e vai ao banheiro. Se olha no espelho e vê o quão feio está seu corpo. Naquela noite de calor, o melhor era tirar logo toda a roupa e dormir vestida de céu. Foi o que fez. 

Notava seus seios. Deus, estão caindo! O tempo e a gravidade são os inimigos da anatomia feminina. Ela se esforçava pra dar uma melhorada na sua situação: cremes, massagens, dietas. Mesmo assim, as coisas continuavam caminhando. Desconfiava que nada adiantaria, pois o que há de ser será. Artifícios como estes seriam apenas disfarces de sua verdadeira identidade. E nossa, ela fez isso toda a vida! Se comportou de maneira totalmente distinta, até aquele momento, em suas relações, trabalho, vida. Gostava de ser aquilo que as pessoas esperavam, e o problema era justamente este. Ela nunca era o que era.

Talvez por isso vivia só. Naquele momento, depois de anos de terapia para identificar o problema, ela o descobriu. Ser o que os outros esperam demanda ter um estoque enorme de máscaras, e mais uma vez, ela nunca era ela mesma. Assim, é claro, jamais encontraria a pessoa ideal. A mulher de seus sonhos. Uma companheira independente, de mesma idade e mesma posição social, que seja sincera e ame verdadeiramente. Para tê-la, deveria superar o maior obstáculo. Assumir sua opção. Isso era difícil, senão impossível para ela, que era importante em seu trabalho como mostrava ser. Uma lésbica ali levaria tudo às ruínas. Ela não teria chance mesmo.

6:07. Liga o chuveiro e deixa a água morna lavar o suor da noite. Cada gota percorre seu corpo, começando dos loiros cabelos, com as raízes já brancas, passando pelos seios, ventre, pé. A reflexão feita na frente do espelho a intriga. Lavando sua vagina, relembra de tantas noites de sexo feitas por interesses mais gerais, mas nunca por amor. Gostaria de sentir verdadeiramente o prazer. Até aquele momento, todos os orgasmos foram fingidos. Para compensar, mantinha escondido no fundo falso do armário uma coleção de dildos diversos.

6:20. Saindo do banho, percebe que jamais fora feliz. Até aquele momento tinha sido uma marionete de pessoas que só conhecia por nome, e a usava sempre para o lucro. Em recompensa, tinha sim uma vida confortável. Tinha colegas, saia frequentemente, mas estava exausta. Havia algo faltando, e não sabia o que era. Caminha para o closet, onde o costumeiro traje a aguarda. Ela o encara, e por fim percebe que ela tem o poder de mudar tudo. Chutar o pau da barraca e assumir sua face real. Identidade a gente constrói para apresentar, era o que um amigo de infância sempre dizia.

6:24. Após encarar todo este tempo o traje, notou que deveria agir logo. Ou mudar, ou se apressar. Tempo é dinheiro, e ela já estava relativamente atrasada. A agenda de hoje envolvia reunião de metas, encontro com dois clientes e apresentação da empresa a um grupo de investidores. Tudo era pra ser feito antes do almoço. Começou a se vestir.

6:56. Pronta pra sair, entra no carro e segue pra empresa. Tudo aquilo fica martelando na sua cabeça, até que o telefone toca. É a secretária, linda e jovem, repassando os últimos detalhes do primeiro compromisso. Só então ela volta pro “mundo” e segue em frente. Esquece tudo o que aconteceu, e vai se desempenhar, mais uma vez, como os outros esperam. Termina o dia na cama de um dos investidores, gemendo tão bem que poderia, se o corpo fosse mais belo, ser atriz pornográfica. Como os peitos estavam caindo, só restava viver como vivia. Lamenta, até hoje, não ser o que é. Mas não muda, pois se acomodou a uma vida que é mais dos outros do que dela. Ela escolheu assim. Saiba tu escolher bem, para não se lamentar depois.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

While it

jazz trumpet We don’t have everything,

We have to do something else

Our skin colour lets us blocked

‘Cause they want to be like that

When will we be free again?

When will we arrive at the end?

I don’t know, but if we take our hands together

The end can be today.

Black eyes fighting for liberty

Curly hairs running to be free again

Yes, we have won a lot

But the world isn’t enough yet

I wanna be doctor

I wanna build my house, buy my car and be trully happy

Meanwhile isn’t possible, I stay here

Doing for us, bro and little sis, this bit of jazz

Coz I wanna be free

I wanna know the colours of happiness

And a taste of honey I want to try

They say it’s good

Meanwhile isn’t possible, I stay here

Singing, expressing, trying to alive

Like a simple song called jazz.

Make me feel like a virgin

Assisti por esses dias o episódio 15 do Glee, “The power of Madonna” e amei. Em uma certa hora é dito com segurança que negros e gays fazem a cultura. Madonna se encaixa onde? Mesmo com este deslize, ainda curti muito o episódio, onde Sue Silvester vira a Material Girl e faz Vogue com toda a liberdade, inclusive poética (Will Schuester, I hate you). Alés desta cena, uma que eu gostei muito foi Like a Virgin, que posto abaixo. Pra finalizar, tambem acho que ATUALMENTE negros e gays fazem a cultura: Beyoncé, O Rappa, estilistas que prefiro não citar, e por aí vai. Glee foi a melhor coisa feita na década para releitura de hits de sucesso. Só espero que a Malhação vire Glee o mais rápido possível.  Aí até eu assisto.

Like a Virgin - Glee - The power of Madonna

domingo, 2 de maio de 2010

Minha infância: um texto pro vô Chico, in memorian.

Fotos da infância me fazem lembrar o quão feliz éramos, e  nem percebíamos. Me lembro de um dos meus dias de infância: verão. Acordo, de cuequinha verde-água, na casa velha, e encontro papai na cozinha, preparando a dedeira. Como sempre, fico sério de manhã. Sento no sofá de dois lugares, ao lado o Guilherme, que já está de camisetinha e short. Ele sempre foi mais esperto que eu, mesmo sendo mais novo. Coisas de Guilherme Henrique. Vitor está na sala também. Começamos a assistir TV Colosso quando Wagner, aparece com o cheiro de um lado e o Pimpão de outro. Enquanto Piscila e Capaxão nos divertem, tomamos o leite quentinho, que o Normélio entregava pontualmente em casa. A mãe está la fora, pendurando as roupas, quando ouvimos o portão abrindo: vô Chico chegou! Vamos todos ao seu encontro, pedindo bênçãos, abraços e doces. Ele nos diverte, especialmente a mim. Troco de roupa, coloco a bota ortopédica e me preparo pra ir ver a madrinha. No caminho, o vô para pra conversar um pouquinho com o Seu Afonso, o Bié, o Carijó, Matema, Seu Vitinho e seu Jelo.  A madrinha, na verdade, era madrinha só do Vitor, mas nos acostumamos a chamá-la assim. Ela é uma santa, aos meus olhos. Assumiu com garra o papel de rainha do lar, mesmo tendo convivido tão pouco tempo com a vó Antônia. Carinhosa e dedicada, a tia Lazinha sempre esteve na minha lista de ídolos e heróis. Assim também estava a Baduda, que neste momento dormia no quarto. A Dete também estava lá, conversando com a tia Lazinha. O vô leva a gente no quintal, onde chupamos jabuticaba e brincamos com o Bigode e com as galinhas. Com paciência ele virava pra mim e dizia “vai lá, Julinho! Eles vão chupar tudo!” Eu confesso que sempre fui molengão. O vô me chama pra passear e me leva na quitanda do Lazinho. Compramos doces e ganho soldados e índios de plástico. Quando voltamos, a madrinha está preparando o almoço. Batata frita! Vou devagarzinho e pego uma. Achando que ninguém está me vendo, pego outra. Então vem o tio Márcio ficar bravo comigo. Com o medo que tinha dele, começo a chorar e vou pra um canto. A Baduda, já de pé, assiste televisão. Descubro uns papéis e caneta, e começo a escrever. Brinco de médico em silêncio, com medo de falar algo e o tio Márcio aparecer pra me castigar. Ainda com lágrimas nos olhos, vou almoçar. A tia Lazinha vem me confortar. Após almoçar, o vô dá o doce pra gente. A mãe chega lá, após o pai ir trabalhar. Ela quer nos levar pra casa, mas resolvo tirar a sesta. Deito do lado do vô e durmo sem preocupações. Que vida bela! Assim que acordo, encontro Guilherme, que descobre uns óculos da Baduda. Resolvemos experimentar. Baduda corre, pega a câmera e tira a foto da gente se divertindo. O vô e a tia Lazinha dão risadas. Não sei quem foi mais feliz: o vô ou eu. Chega a hora da Tia Lazinha ir pra banda, então a mãe nos leva embora. O vô vai junto. A gente assiste televisão, eu deitado no colo dele. Ele vai embora, e o Vitor chama a gente pra brincar. Brincamos até que a mãe manda a gente tomar banho. Primeiro vai o Vítor. Depois, o Guilherme e o Wagner. Por fim, vou eu. Sentamos no sofá enquanto a mãe prepara o jantar. Assistimos TV Cruj. O jantar fica pronto. Jantamos arroz, abóbora, carne moída, jiló e salada de almeirão. A tia Cléa aparece. Depois chega a Dete. Elas conversam na sala, assistindo a novela, e a gente tentando entender o que elas falam e comendo arroz doce que a mãe tinha feito escondido. A novela acaba, elas vão embora e a gente se prepara pra dormir. Tomamos a dedeira, escovamos os dentes e vamos dormir. Deito, durmo e sonho com brinquedos e jogos que eram vendidos. Achava que seria legal, e desconhecia o quão feliz era.  Não posso reclamar da minha infância. Tive tudo o que uma criança precisava: espaço, carinho e cuidado. Sinto falta desta vida simples e humilde que tinhamos. Sortuda a criança que, hoje em dia, cresce como eu e meus irmãos crescemos. Ficam as boas lembranças de dias que demoravam passar. Fica também a memória do vô Chico, a quem dedico este texto. Sei que um dia ainda reviveremos todos estes momentos, juntos ao grande Senhor. Enquanto tal dia não chega, guardo comigo seu sorriso e a sua voz em meu coração, gritando “vai lá, Julinho!” Esta é a fonte que me motiva a superar, vencer. Obrigado vô! Te amo e amo a todos que fizeram da minha infância única e naturalmente bela.

Num fim de tarde…

Ativo uma playlist. Ouvindo “Como nossos pais”, na voz de Elis Regina, me sinto motivado a escrever que somos como nossos pais, em novas roupagens. Eu, por exemplo, tenho o jeitão de minha mãe pra ir contra a corrente. Em meu sangue sagitariano, a lei é osar, experimentar, descobrir por que é proibido. Adoro me arriscar! Mamãe também é assim. Ela deve ter provocado muito o vovô com o que eu também faço: ser diferente pra pirraçar. Por exemplo, sou batizado, fui uma ovelhinha tonta do bom Cristo, mas preferi virar (um gato?) da Deusa dos Dez Mil Nomes. Além de me sentir bem assim, queria mostrar pros meus velhos que sou dono do meu bilau e enfio ele na toca que eu quiser (rsds). Sou um bom filho, na minha opinião. Fora essas escapadas, não causo problemas, estudo, não fumo nem bebo (???)… Do meu pai peguei a paciência. Da Baduda, o orgulho próprio e o amor pelo conhecimento. Da tia Lazinha, a prudência. A tia Lazinha é a única sagitariana que odeia arriscar. Tolinha. Há muitos prazeres a serem descobertos na jaula do tigre(rsds). Da tia Cléa ( é bom ela não ler isso) ganhei um pouquinho de sinismo. Isso é bom, talvez a melhor coisa. Do tio Márcio ganhei muitos nãos. Não. Tio Carlinho me fez aprender a não ser enrolado (como ele) porque as pessoas muitas vezes dependem da gente. (kkkk). Com os exemplos do Tio Cláudio, vi que a bebida só traz tristeza para os que realmente nos amam. Enfim, sou esta mistura toda e tenho orgulho disso. Não sou como meus pais. Sou um pouquinho daqueles que mais amo, e reconheço. Agora a música acaba. Começa Nina Simone com I’m feeling good. Quem não está?!