Era uma vez um garoto que gostava de garotos. Este rapaz, em sua adolescência, era apenas mais um. Se destacava na escola, e era visto como um mané. Não pegava ninguém, e não era nada afim disso. Muito se especulava sobre ele, mas só ele sabia, em seu interior, que aquilo era pouco. Pouco porque, se manifestasse sua verdadeira personalidade (não foi por escolha própria) sofreria muito. Nem sua família, nem a sociedade em que vivia aceitariam. Portanto, guardou isto em segredo ate o dia em que fosse livre. Sabia que, para ter certa liberdade, deveria jogar o jogo deles. Jogou e venceu.
Saiu daquele mundinho, e foi buscar algo a sua altura. Não queria só dar o grito de liberdade, mas também viver dignamente. Tudo o que via na TV era parte de seus sonhos. O mundo era gay, dizia pra si. E assim se iludia…
Foi parar, por escolha própria e resultado de suas lutas, em um lugar pior. “Cidade grande, cabeça grande…” era assim que ele pensava, até que concluiu que ter cabeça grande não significa ter cérebro diretamente proporcional. Começou a enxergar a realidade, e por isso se conteve ainda mais. O problema não era nas origens, mas sim nas definições culturais. Homem deve gostar de mulher. Homem que gosta de homem é diferente, e a sociedade tem medo das coisas diferentes. Elas tem um grande poder de mudança, e nada pode mudar, pois tudo vai tão bem!( aos olhos de uma minoria controladora).
Foi aí que o rapaz teve a sacada: se ele tem o poder de mudar, então ele vai mudar! A partir disso, assumiu quem era para si mesmo. Isto já era um avanço. Ao fazer isso, encontrou outros semelhantes a si, e descobriu que os diferentes são tantos que começam a ser os normais. Esta é a mudança maior! Começaram a agir em união, e assim avançaram em suas conquistas.
A luta hoje é por uma coisa que Nina Simone já cantava, por ser diferente, e de certa forma conquistou. Buscam igualdade. Os medos do garoto, de repugnação não só pela sociedade, mas por sua amada família, começaram a desaparecer. A visão de pessoa está sendo modificada, e o que alguns dizem ser desordem e fim do mundo, para mim e para muitos é o respeito ao livre-arbítrio e aceitação de que a entropia social na verdade é a reconstrução do conceito de liberdade.
O garoto então vive construindo sua felicidade a cada dia, para sempre.
