Morar em kitnet é uma bela experiência de stress. Moro em uma, num corredor onde moram mais 13. Imagine uma caixa de ovos. É mais ou menos assim. O vizinho peida, eu escuto. A vizinha xinga, eu me ofendo. Eu faço rituais, todos odeiam. Incensos não são assim tão incômodos. Acho que o que eles querem é me ver numa fogueira.
Ano passado, um cara alugava uma kit só pra se encontrar com sua amante. Eles não tinham hora pra furunfar. Era 6 da manhã de domingo, 5 da tarde da quinta… a mulher era tremendamente escandalosa. Parecia que tinha um orgasmo a cada 5 minutos! Eram eles transando enquanto eu enfiava cálculo na minha cabeça.
Este ano, o casal abriu mão da kit (aleluia!) Agora vieram alguns bixos loucos, sociáveis e idiotas. Faço uma previsão: pau na facul. Além destes, uns carinhas que já moravam aqui descobriram o video-game. Guess what? 24 horas de FIFA no PS3. Gritam, xingam, sofrem… e incomodam!
Às vezes eu resolvo pirraçar também. Boto um new age ou um jazz super alto, bem em época de prova, pra eles aprenderem a estudar na hora certa! Sou mal? Não! Apenas aproveito enquanto os outros ralam. Nota que é uma opção?
Sei que eles especulam sobre mim (sou do tipo “oi…tchau”). Tem curiosidade sobre o que faço, como faço e por quê faço. Para meu prazer, deixo os vizinhos na curiosidade.
Nesta “sociedade kitnetiana'” é possível observar diferentes estilos e papéis sociais. Enquanto eu sou P&L, P&F(peace and love, party and fun), o vizinho é Rock’n total. Enquanto estudo, a mocinha dá e enche a cara. E assim, vamos vivedo, buscando ou desviando de nossos objetivos primários, só pra dinamizar!

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