Têm encarado o futuro, aqueles olhos sagazes, com grande certeza. Como erram. Veja bem você: tem certeza de que chegará ao fim deste texto vivo? O problema é que, das certeza do futuro presente, os olhos arquitetam, decoram-no como desejam. Cravejam de ouro, esmeraldas e contas milionárias. Lotam as paredes de certificados, se faz um deus aos homens. Torna-se dono das areias, riachos e latifúndios. Se perdem em seus próprios sonhos. É a mente embaraçada em seu próprio labirinto. É triste ser homem. A nós foi dado o poder de sonhar: uma perdição. O fato é que aqueles olhos não veem mais do que as possibilidades. Você deve saber, se ainda sobrevive, que a arte apenas idealizada não é arte, é esboço. Então aqueles olhos esboçam a certeza, que triste! Preveem o tempo, desafiam Cronos e incitam sua ira! E dali não saem. Olhos de sonhadores. Quem vive, vive porque deu ao trabalho de manter-se vivo. Quem sonha, sonha porque é homem. E sonhos não constroem castelos, apenas esboçam-o. Aos homens, como a todos os animais, foi conferido o poder de trabalhar. O correr atrás. O botar pra fazer. É isso que falta ao dono dos olhos: motivação. Desperte! Vá alcançar seus ouros, lapidar as esmeraldas e gastar ATP’s com coisas úteis. Sue no mundo real. Dignifique-se através do trabalho, busque o mérito e perceba que nunca se alcança o futuro. Quando ele chega já é presente: assim persiste a maldição de sonhar. Eu ainda vivo.

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