Não desejo que me ames. Apenas desejo que me entenda. Saiba que cada minuto meu é dedicado a ti. Cada respiração vale a pena pois você ainda vive, e insiste em habitar, em essência, de maneira um tanto ideal, bastante arquitetada, o meu coração. Ah, se pudesses estar aqui realmente. Mas entendo seus temores. Ainda mais, conheço suas vontades, e, por amor ainda maior a mim, apenas nego. Não quero se for assim, meu querido, mesmo cultivando por ti grande apreço. Afinal, o que seríamos? Amigos? Não espero outro título, mesmo almejando, já que temes algo. Será a mim que temes? Serei eu o médico, o monstro e o diabo que tanto corrompe, tanto distorce, tanto atenta-o? Não tem ideia de como me divirto com nossa história. Um tanto insensível eu sou, reconheço, e por tal qualidade concluo que você é o necessitado. Dou risadas ao saber de sua relutância mortal, seu medo de se atirar no escuro. Afinal, o que há depois das trevas? Será mesmo que são trevas? Podes encontrar tesouros valiosos, meu caro. É possível que sejas sim premiado por sua coragem. Cria-a! Nutra-a com a mais verdadeira vontade, e encontre vida no fim de tudo. Em resumo, o aleijado que teme a muleta não dá um passo sem ir ao chão. Não te prometo flores nem romantismo. Te prometo um eu nu, livre, real. É tudo o que precisa. Mas para tanto, atenda ao meu único e inocente pedido: me entenda. Se sou mesmo seu diabo, ao menos cobro pouco de ti. Talvez você compreenda tudo isso quando realmente amar. A si e a mim.

nossa arrepiei profundo
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